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Bibliotheca açoriana : noticia bibliographica das obras impressas e manuscriptas nacionaes e estrangeiras, concernentes ás Ilhas dos Açores / por Ernesto do Canto
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Manoel da Purificarão e Antonio dAssumprão.

Um vol., manuscripto, in-lbl. com 229 meias folhas numeradaspela frente com o texto enfachado por i traços. Boa letra e em bom es-tado (le conservação. Dividida em 1." parte com 32 capítulos e 2. princi-piando com o cap.° 33 até o capitulo 58, em que se acha a seguinte nota:«Daqui por diante escreve quem ordena o Padre Ministro sem perambn-los (sie) nem panegíricos senão lizamente como as cousas succedem.»

Continua até o capitulo 177 escripto por diversas pessoas com le-tras muito diversas; depois a folhas 222 em diante ha simples notas deentradas e obitos de irmãos até folhas 227 em que se acha a data de 8de dezembro de 1788, ultimo termo lançado; e logo abaixo um Vistoem vizita nesta Becoleição em 14 de maio de 1789, assignado porFr.Jo-seph (??) talvez o Bispo I). Fr. José dAve Maria. A foi. 228 e a final 229estão cheias com uma declamação que não diz contra quem foi dirigida.

Na margem da folha 18H está a nota seguinte Foi o author que a-perfeiçoou esta rhronica e escreveo 10 livros sermonarios e Alisticos que vi naLivraria dos Jesuítas de Ponta Delgada=, refere-se ao cap.° (54 em que setracta da sabida e morte do irmão Antonio dAnnunciaçao.

Pelo exposto se que este volume pertenceu á Becolleta da Ca-loura e nunca á Livraria dos Padres da Companhia de Ponta Delgada, co-mo diz Barboza.

Podiam, porém, os Jesuítas ter uma copia desta mesma obra.

O volume que tenho presente pertenceu a Antonio Borges Neuinâoda Camara, que assim o declara a folhas 52.

Em 1877 existia na Villa da Lagoa, quando o comprei.

E dever confessar que o Licenciado Antonio dAssumpção (alemde pór em limpo) nada aperfeiçoou a Delação original do Padre Ma-noel da Purificação que é provável fosse simples, clara c lacónica. Eslaé em estylo Oongorieo, recheada de textos dos Santos Padres , e durnaerudição pedantesca e disparatada, que torna impossível a leitura.

Quando pretende descrever, dissolve quatro phrazes descriptivasem 32 pag. de enfadonhas divagações como acontece nos capítulos 5 eti onde promette descrever o Valle das Furnas.

Como amostra dos enfeites introduzidos nesta chronica citaremoso titulo do capitulo 28 l)e como o demonio alcançou de Deos licença paradestruir o Valle das Fumas, e os fundamentos que para isso se podem ron-jecturar que alegaria».

O cap." 29 pertence sem duvida ao primitivo author pela narrativamais simples e pathetica dos terríveis transes porque passaram os here-mitas durante a noite de 2 de setembro de 1030 em que houve a eru-pção da Lagoa Secea no mesmo Valle, que o author habitava.

Tem grande valor por ser narrativa de testemunha presencial da-quella tremenda catastrophe.

No Arcliivo dos Açores Vol. II, p. 527, está impresso todo este capi-tulo 29.

Na folha 123 v." ha uma poesia, que poderá ser apreciada pelos a-madores, que começa:

Incomprehensivel Sr.en cujo inunenso podertoda á cousa que tem servem a ser cousa menorlley, Deus , Monarcha, e Creador,que por vestir nosso passosendo um Deus tam soberanopor inefável destino